02 dezembro 2013

Desabafos XXIV


Não sei como pude não poder continuar, no sentido de seguir em frente. Precisei de alguém que me pudesse ajudar a fazê-lo quando não fui capaz de me ajudar a mim própria. É tanto um quanto injusto, mas como se pode alguém se ajudar a si próprio quando já nem em si acredita? Mas no fundo, acho que sempre fui a única a acreditar em mim mesma, a querer continuar, a desejar continuar, a tentar continuar. Mesmo sem forças, mesmo sem ninguém. O objetivo é mesmo esse quando se diz que se deve continuar por nós próprios... Porque bem, ninguém o fará por ti. Tal como ninguém o fez por mim. Acho que duvidei mais de mim do que algum dia imaginaria duvidar, mas incrivelmente, nunca desacreditei ao ponto de desistir e apenas me deixar levar para onde finalmente teria de ir. É injusto eu escrever isto, consigo sentir que é. Mas tão pouca gente me ouviu, tão pouca gente me falou, tão pouca gente me leu. Deixei de ser transparente no momento em que tive de decidir e deixei de conseguir ajudar os outros para me tentar ajudar a mim mesma, e bolas, foi a melhor decisão da minha vida. Foi essa decisão que me levou a estes novos dias, a estes novos sorrisos, a estas novas pessoas, a estas novas escolhas... A esta nova felicidade. Nunca imaginaria que tanta coisa mudaria, que eu iria fazer com que tanta coisa mudasse. A verdade é que fiz, e incrivelmente, as pessoas têm razão, mudar pode ser o melhor. E foi. E foi de que maneira! A pessoa que era iria rir-se da pessoa que sou, e a pessoa que sou iria rir-se da pessoa que fui. Não rir pelo sentido da palavra, mas rir porque, em tempos nunca acreditaria que iria voltar a saber o que era um sorriso, ou como saber sorrir. Perdi-me de tantas coisas, tantas pessoas, e perdi-me de algo de que nunca me poderia ter perdido... De mim. Não saber como voltar atrás é a razão chave para se seguir em frente, não sabendo como nem sabendo porquê. O segredo é simplesmente ir. Sem saber por onde se vai, o que se vai encontrar e onde se irá chegar. Mas bem, sempre temos a possibilidade de encontrar algo maravilhoso...
E eu encontrei. 

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